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Portugal escolhe a Lufthansa para adquirir 49,9% da TAP por 1,2 mil milhões de euros

Governo português aprova venda de até 49,9% da companhia aérea nacional ao grupo alemão. Operação ainda depende de etapas formais e da aprovação das autoridades competentes.

O Governo de Portugal anunciou nesta quarta-feira, 14 de outubro, a escolha do grupo alemão Lufthansa para adquirir uma participação de até 49,9% na TAP Air Portugal, a companhia aérea de bandeira portuguesa. A operação foi avaliada em aproximadamente 1,201 mil milhões de euros e representa um dos principais passos no processo de reprivatização da empresa.

O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro português, Luís Montenegro, após uma reunião do Conselho de Ministros. A decisão encerra a primeira fase da disputa entre dois grandes grupos europeus da aviação: a Lufthansa e a franco-neerlandesa Air France-KLM. A proposta alemã foi considerada financeiramente mais vantajosa pelo Governo português.

Apesar da escolha do investidor, a operação ainda está sujeita às formalidades necessárias e à aprovação das autoridades competentes, pelo que a transferência da participação não deve ser confundida com a conclusão definitiva do negócio.

Estado português deverá manter o controlo maioritário

O acordo prevê a alienação de até 49,9% do capital da TAP, mantendo o Estado português uma participação maioritária nesta primeira fase. Cerca de 5% do capital está reservado aos trabalhadores da companhia, nos termos previstos para o processo.

A decisão integra a estratégia do Governo português de aproximar a TAP de um grande grupo internacional, procurando reforçar a capacidade financeira da empresa, ampliar as suas possibilidades de crescimento e melhorar a sua competitividade no mercado europeu.

Segundo a posição apresentada pelo Executivo, a Lufthansa reúne condições para apoiar o desenvolvimento da transportadora portuguesa, através de recursos financeiros, integração de redes e possíveis investimentos adicionais.

Ligações ao Brasil e ao espaço lusófono estão entre os principais ativos

A TAP desempenha um papel relevante nas ligações aéreas entre Portugal, o Brasil, os países africanos de língua portuguesa e diversos destinos europeus e norte-americanos.

A sua posição estratégica no Aeroporto de Lisboa permite ao grupo Lufthansa ampliar a presença no sudoeste europeu e reforçar as ligações transatlânticas. Para Portugal, a parceria poderá representar novas oportunidades de expansão, embora os resultados concretos dependam das decisões comerciais e operacionais que vierem a ser tomadas.

O Brasil assume particular importância neste contexto, devido à procura de viagens entre os dois países, aos laços históricos e culturais e à dimensão da comunidade portuguesa residente no território brasileiro.

O que muda para os passageiros?

A entrada de um novo acionista não significa, por si só, alterações imediatas nos bilhetes, nas rotas ou nos serviços da companhia.

Entre as questões que deverão merecer atenção nos próximos anos estão a manutenção das ligações consideradas estratégicas para Portugal, a evolução dos preços das passagens, a expansão da rede de destinos, a modernização da frota e as condições de trabalho dos funcionários.

A eventual criação de sinergias com outras companhias do grupo poderá trazer vantagens operacionais. Por outro lado, os efeitos sobre os consumidores dependerão da concorrência, da política comercial adotada e das garantias estabelecidas no âmbito do acordo.

Uma nova etapa para a aviação portuguesa

A reprivatização da TAP representa uma mudança importante na relação entre o Estado português e uma das empresas mais emblemáticas do país. O processo procura conciliar a preservação de interesses nacionais com a necessidade de competir num setor internacional marcado por elevados custos, grandes investimentos e forte concorrência.

A escolha da Lufthansa abre caminho a uma parceria que poderá influenciar o futuro da aviação portuguesa, sobretudo nas ligações entre a Europa e o espaço lusófono.

Para Portugal, o desafio será assegurar que o investimento contribua para o crescimento sustentável da companhia sem comprometer a conectividade do país e a importância estratégica das suas ligações internacionais.

Fontes: Governo de Portugal; Reuters; Associated Press.

ANOVA — Agência de Notícias de Valoria

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